23 de abril de 2008

Sobre o amor




... sobre vinicius, as pessoas esquecem como é ridiculo mostrar o amor sem congruência, como é corajoso abrir o peito incondicionalmente pra uma pessoa.

é uma covardia confinar o amor à sensatez de um gostar menor. Amor de verdade extravasa, não faz sentido simplesmente porque é dele que provém todos os caminhos.

quem dera eu ter acertado aquele caminho, que foi só um erro, e me impediu até de errar pelo caminho com maior exito...
se fosse sempre belo o amor... não existiriam as lágrimas, e a delícia do reconcilhar, do se se perder e o perigo de não mais se encontrar.
que diferença faz o amor, aliás, de quem não sabe amar?

mas é essa ilusão que é o amor. É o gostar tão de verdade que a própria realidade se esconde envergonhada de não ter na sua dureza nem metade da grandeza.

pois é, o que eu quero dizer praquele meu encalhe, é justamente que não tem outras épocas vividas, que esse mar só seca pra quem o abdica, e se quiser amar: ama, cara. agora, pelo amor de Deus. deixa o que é menor sumir, deixa de bobagem e goste de viver a vida. queria amar e nadar nesse mar.

seja intensa

e quebre a cara... mas não fique amornada no conforto de um relacionamento estavel. mas aí é o meu amor, né... eu sou chegado num tempero sofisticado, bem curtido e pegado!

Conversa gostosa com um amigo sobre o amor...

11 de abril de 2008

TU E EU

Somo diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só crescer
até dar o pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa.
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy.
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albinônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como fruta do trópico.
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou penitente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Anoitecer

É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.

É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como o espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.

É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz - morte - mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.

Hora de delicadeza,
gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.


Carlos Drummond de Andrade