Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hilst
27 de fevereiro de 2007
26 de fevereiro de 2007
Ilú Obá De Min (Sosô Parma)
Ilú Obá
Ilú Obá De Min
Ilú Obá as mulheres que tocam tambores
Ilú Obá salve a força da soma das cores
Ilú Obá
Rei Obá abençoa os amores
Ilú Obá
Ilú Obá De Min
Ilú Obá as mulheres que tocam tambores
Ilú Obá salve a força da soma das cores
Ilú Obá De Min
Ilú Obá as mulheres que tocam tambores
Ilú Obá salve a força da soma das cores
Ilú Obá
Rei Obá abençoa os amores
Ilú Obá
Ilú Obá De Min
Ilú Obá as mulheres que tocam tambores
Ilú Obá salve a força da soma das cores
23 de fevereiro de 2007
" Precisa-se "
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector
22 de fevereiro de 2007
Sobre Vinicius e o amor
... sobre vinicius, as pessoas esquecem como é ridiculo mostrar o amor sem congruência, como é corajoso abrir o peito incondicionalmente pra uma pessoa ...
... é uma covardia confinar o amor à sensatez de um gostar menor. Amor de verdade extravasa, não faz sentido simplesmente porque é dele que provém todos os caminhos ...
... é uma covardia confinar o amor à sensatez de um gostar menor. Amor de verdade extravasa, não faz sentido simplesmente porque é dele que provém todos os caminhos ...
... quem dera eu ter acertado aquele caminho, que foi só um erro, e me impediu até de errar pelo caminho com maior êxito...
... se fosse sempre belo o amor... não existiriam as lágrimas, e a delícia do reconciliar, do que se perder e o perigo de não mais se encontrar. Que diferença faz o amor, aliás, de quem não sabe amar?
... queria ter vivido em épocas de poesias e fazer delas profecias ...
... mas é essa ilusão que é o amor. É o gostar tão de verdade que a própria realidade se esconde envergonhada de não ter na sua dureza nem metade da grandeza...
... seja intensa ...
... eu sou chegado num tempero sofisticado, bem curtido e pegado ...
conversa entre amigos...
Por toda a minha vida
Soneto de separação
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
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