27 de fevereiro de 2007

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.


Hilda Hilst

2 comentários:

Anônimo disse...

Ai que essa vida me da um sono!

Anônimo disse...

Um novo olhar é sempre necessário. Um olhar que decifre e invente mistérios, que provoque debates e seres.
Sempre, Hilda.